BIOINFORME

ESTUDO DA HEMOGLOBINA

Principal constituinte das hemácias, a hemoglobina tem como sua maior função o transporte de oxigênio. Ela é composta por um pigmento, o heme, que tem ferro em seu interior, mantido no estado ferroso, e uma proteína, a globina, formada por dois pares de cadeias polipeptídicas que diferem na seqüência dos aminoácidos. Sob controle genético, essas cadeias — chamadas de α (alfa), β (beta), γ (gama), δ (delta), υ (épsilon) e ζ (zeta) — são sintetizadas em fases diferentes do desenvolvimento: embrionária, fetal e após o nascimento.

As combinações entre os vários tipos de cadeias resultam em moléculas de hemoglobinas diferentes. Seis meses após o nascimento, a molécula predominante é composta por dois pares de cadeias a (alfa) e ß (beta), designadas Hb A1 ou Hb A, e representa cerca de 97% da hemoglobina total. Outros componentes menores são representados pelas Hb A2, formada por pares de cadeias a (alfa) e d (delta), com uma concentração de 2,5% a 3,5% da Hb total; e a Hb fetal (HbF). Constituída por duas cadeias α (alfa) e duas cadeias γ (gama), a hemoglobina fetal, ou Hb fetal, está presente no nascimento e diminui gradativamente durante os seis primeiros meses de vida, atingindo o máximo de 2% da hemoglobina total.

As alterações das cadeias polipeptídicas podem ser qualitativas ou quantitativas. A mutação qualitativa afeta os genes estruturais e promove a formação de cadeias diferentes, dando origem a hemoglobinas anormais ou variantes.

Já foram descritas cerca de 800 variantes estruturais das hemoglobinas humanas, mas apenas poucas são associadas a manifestações clínicas e hematológicas. As hemoglobinas anormais são identificadas pela variação da mobilidade eletroforética e designadas por letras. A primeira hemoglobina anormal foi denominada HbS – sickle (foice, em português), por seu formato. É também a mais conhecida, responsável pela anemia falciforme, em que a anormalidade decorre da substituição do aminoácido ácido glutâmico por valina, na posição 6 da cadeia ß (beta). As identificadas posteriormente receberam as designações que seguem o alfabeto (C, D, E, G, H). Quando têm estruturas diferentes, mas a mesma mobilidade eletroforética, são também identificadas pela cidade onde foram descobertas (HbCHarlem).

A mutação quantitativa determina um distúrbio na produção das cadeias polipeptídicas normais (deficiência parcial ou total), dando origem às talassemias. Dependendo do tipo de cadeia deficiente, teremos a talassemia α (alfa), β (beta), δ (delta) ou dβ (delta-beta).