BIOINFORME

IMUNO-HISTOQUÍMICA

Conceituação


Imuno-histoquímica (IHQ) é a identificação de epítopes no tecido através da reação antígeno-anticorpo (Ag-Ac), revelada por um marcador visual e examinada à microscopia óptica e/ou eletrônica.

Indicações da IHQ


Suas principais indicações são:

No caso de neoplasias a seleção de painéis de anticorpos (Acs) pode ser dirigida a conjuntos de diagnósticos diferenciais baseados na morfologia, seguindo-se uma reação complementar com seleção de Acs individualizados. Outra possibilidade é o uso de um painel de Acs, avaliando-se caso a caso. Em ambas as situações é importante a correlação com o contexto clínicomorfológico.

Na determinação da histogênese, o caminho inicial consiste em estabelecer o tipo de linhagem celular: epitelial (carcinomas), mesenquimal (sarcomas), hematológico (linfomas) ou outro.

Determinada a histogênese, o raciocínio seguinte é:
Epitelial: escamoso ou glandular;
Mesenquimal: muscular, fibroso, esquelético, adiposo ou neural;
Hematológico: célula T, B, null cell, histiocítico ou outro tipo celular.

Em alguns casos, a IHQ contribui para a identificação de tumores benignos e/ou malignos, como, por exemplo, quando se detecta gonadotrofina coriônica ectópica, cadeias leves para estabelecer monoclonalidade etc. Embora a maioria dos casos seja resolvida na rotina histológica, o estudo imuno-histoquímico tem papel importante nos casos de difícil diagnóstico, na determinação de sítio primário e também como parâmetro prognóstico no estudo das neoplasias.

Histórico


A IHQ iniciou seu desenvolvimento a partir da produção de Acs, acoplados ou não à fluoresceína, seguindo-se a utilização de Acs não fluoresceinados. Nenhum procedimento teve papel tão importante no campo do diagnóstico patológico nos últimos 50 anos como a IHQ, um método sensível e específico, que permite a correlação com os parâmetros morfológicos e pode ser empregado na rotina diagnóstica de material histológico e citológico.

Alguns avanços foram responsáveis pelo aumento do interesse por marcadores imunológicos, como a clonagem de DNA nos estudos de biologia celular, que possibilitou o conhecimento da distribuição de proteínas nos diferentes tipos de célula (filamentos intermediários). Outro fator foi a tecnologia dos monoclonais, que permitiu identificar não só antígenos celulares, mas também os diversos estágios da diferenciação celular.

A tecnologia dos hibridomas revolucionou o processo de produção de Acs monoclonais, permitindo alta especificidade e qualidade, necessária para garantir a reprodutibilidade dos testes. São produzidos pela fusão entre células esplênicas, obtidas de animal imunizado, e células de mieloma, produtoras de Ac. As células esplênicas transferem a especificidade antigênica para as células do mieloma, que passam a produzir Acs dirigidos ao antígeno imunizante. Cada célula do hidridoma tem sua própria especificidade antigênica, reconhece apenas um epítope presente na mistura imunizante, e toda sua progênie produz Acs idênticos. Os Acs policlonais têm origem em inoculações de imunógeno não purificado no animal, estimulando a diferenciação de diversos clones de linfócitos B produtores de AC; cada um destes clones é dirigido para um único epítope da mistura imunizante.

Técnica


O método imuno-histoquímico se baseia no uso de Acs mono e/ou policlonais para detectar determinantes antigênicos nos tecidos, quer sejam de localização nuclear, citoplasmática ou de superfície, sem necessidade de extração ou prévio fracionamento. Permite a utilização em material fixado em formol e incluído em parafina. Estes fatores impulsionaram o aperfeiçoamento diagnóstico, possibilitando a correlação com os critérios histológicos e o estudo retrospectivo.

Na reação antígeno-anticorpo (Ag-Ac), a ligação é mais rápida que a dissociação. Por isso, durante as etapas, o excedente de anti-soro é retirado em lavagens, estabelecendo o equilíbrio entre os imunorreagentes e o complexo formado.

As técnicas permitem o uso do Ac primário (Ac específico) diretamente acoplado a enzimas, que, ao interagir com um excesso de substrato, resulta em um produto colorido. Empregam-se ainda outras técnicas, como a indireta em duas etapas e as que estabelecem a ampliação da reação, usando-se algumas enzimas como reagentes de detecção. As mais comuns são a fosfatase alcalina (APAAP) e a peroxidase (PAP), que usam o complexo Ag-Ac antienzima como sistema de ampliação da reação.

A peroxidase ligada à avidina (ABC) pode também ser empregada em sistemas com anticorpo secundário biotinilado. Estas reações requerem um substrato (peróxido de hidrogênio) e um terceiro componente para desencadear a reação. Os mais comuns são os complexos amino (3-3’ diaminobenzidina – DAB) que funcionam como doador de elétrons. Duas condições são importantes para uma boa reação: que o produto não se disperse do sítio de ligação e que seja detectável por microscopia óptica ou por citometria de imagem.

O máximo de sensibilidade ocorre com sistemas de detecção em múltiplas etapas, porque ampliam o sinal ao intensificar a marcação do Ac primário. A sensibilidade da reação é estabelecida pela quantidade mínima de antígeno que pode ser detectada, efetuando-se o ajuste da técnica por comparação com os controles, usados para garantir a reprodutibilidade do método, e pela diluição dos Acs primários. A comparação de controles obtidos do próprio material (tecido não corado) é feita para determinar a intensidade e a especificidade da coloração, enquanto os controles positivos confirmam a boa funcionalidade dos reagentes.

A localização de uma substância em determinada célula usualmente indica o sítio de síntese; o mesmo ocorre com relação à histogênese dos tecidos que necessariamente não têm que expressar determinado antígeno. A sensibilidade da reação é estabelecida pela quantidade mínima de antígeno que pode ser detectada; o ajuste da técnica é feito por comparação com os controles e pela diluição dos Acs, de forma a se estabelecer o equilíbrio entre a quantidade de epítopes e a de Acs no meio.

Como a antigenicidade depende da natureza físico-química do antígeno em sua estrutura tridimensional, as forças físicas e químicas (pH, temperatura ambiente, molaridade) do meio de fixação do tecido têm influência na preservação ótima destes antígenos. A possibilidade de alterar esta antigenicidade também pode ser influenciada por outros fatores, como a autólise, a má impregnação em parafina etc.

Marcadores de diferenciação


Os indicadores que permitem a identificação da histogênese são chamados marcadores de diferenciação celular. Isso porque os diferentes tipos celulares expressam antígenos distintos, dependendo de sua maturação (moléculas de diferenciação) e de seu estado funcional. Assim, tumores bem diferenciados expressam fenótipos mais similares aos das células normais da mesma histogênese. Células de tumores pouco diferenciados, ao contrário, não mantêm esta fidelidade.

Os marcadores de diferenciação são muito usados na avaliação das neoplasias hematológicas, com reconhecimento dos diversos estágios do desenvolvimento celular. Os antígenos presentes nas células tumorais refletem os que se encontram presentes nas células normais. Com o surgimento do fenótipo neoplásico, elas passam a ganhar, perder ou sofrer modificação de seus antígenos.

As alterações na expressão de antígenos em células tumorais são tanto mais significativas quanto menor for a diferenciação do tumor. Também podem surgir alterações em células jovens que nunca adquiriram antígenos de diferenciação e passam a produzir substâncias estranhas à sua histogênese, como os hormônios ectópicos.

O surgimento de um determinado antígeno usualmente ausente no tecido normal pode não ser conclusivo para a definição de um tipo de neoplasia, porque a expressão também pode ocorrer em tecido regenerativo. A maioria dos marcadores tumorais pertence ao grupo de antígenos de diferenciação e podem ser proteínas estruturais, produtos de secreção, antígenos de superfície etc.

Marcadores tumor-associados


Alguns tumores podem expressar antígenos que não se exprimem em células normais e são chamados tumor-associados. Os Acs contra estes antígenos não identificam se a célula é maligna ou benigna, mas a sua presença permite diferenciar uma neoplasia de outra, como no estudo de metástases (exemplo: antígeno próstata-específico). Outra situação é a de heterogeneidade das células tumorais, com porções da população expressando diferentes antígenos, talvez por representar a presença de diferentes clones.

Marcadores de proliferação celular


A proliferação celular é tradicionalmente determinada pelas figuras de mitose à microscopia óptica, análise de fase S por citometria de fluxo ou por detecção de antígenos associados à proliferação através de Acs monoclonais. Os antígenos estudados com maior freqüência são PCNA e Ki-67, que se expressam exclusivamente em núcleos em proliferação, permitindo determinação da fração de crescimento dos tumores.

Marcadores mais freqüentemente utilizados no diagnóstico das neoplasias e de algumas doenças infecciosas


ACTINA DE MÚSCULO LISO
Reage com miofilamentos citoplasmáticos com expressão em músculo liso, células mioepiteliais e neoplasias correspondentes.

ACTINA SARCOMÉRICA, POLICLONAL
Marcador de células musculares estriadas.

ALFAFETOPROTEÍNA
Antígeno oncofetal com expressão em tumores de células germinativas e diferenciação para saco vitelínico; presente em fígado fetal, se expressa em tumores de células germinativas, hepatoblastoma e, às vezes, hepatocarcinoma.

ANTÍGENO BRST-2 (GCDFP-15)
Marcador de carcinoma de mama.

ANTÍGENO BER-EP4
Marcador de células de origem epitelial.

ANTÍGENO CA 15.3
Marcador de carcinoma mamário.

ANTÍGENO CA 19-9
Marcador de carcinoma de pâncreas e trato gastrointestinal.

ANTÍGENO CA 125
Marcador de carcinoma de ovário, vesícula seminal, colo uterino, endométrio, trato gastrointestinal, tireóide e mama.

ANTÍGENO CARCINOEMBRIONÁRIO (CEA OU CD66E)
Expressão na diferenciação epitelial do tubo digestivo, mama, ovário, pulmão etc. e respectivos tumores.

ANTÍGENO DE MEMBRANA EPITELIAL (EMA)
Expressão em células epiteliais, plasmócitos, algumas células linfóides malignas, meningiomas, membrana celular de mesoteliomas e neoplasias linfóides, como o linfoma anaplásico de grandes células.

ANTÍGENO HEPATOCITÁRIO ESPECÍFICO (HSA)
Marcador de hepatócitos.

ANTÍGENO MELAN A
Marcador de melanócitos normais e neoplásicos.

ANTÍGENO MYO-D1
Marcador de rabdomiossarcoma.

ANTÍGENO PROSTÁTICO ESPECÍFICO (PSA)
Expressão em células secretórias e ductais de próstata, tanto normais quanto neoplásicas, e utilizado na identificação de metástases.

ANTÍGENO RCC (RENAL CELL CARCINOMA MARKER GP200)
Marcador de células tubulares renais normais e neoplásicas.

ANTÍGENO RELACIONADO AO FATOR DE VON WILLEBRAND (FATOR VIII)
Marcador de células endoteliais e megacariócitos.

ANTÍGENO TTF1
Marcador de carcinomas de pulmão e tireóide, e neoplasias neuroendócrinas.

BCL-2
Proteína de membrana mitocondrial, codificada pelo gene envolvido na translocação t(14;18), reagindo com linfócitos T, zona do manto. Não reage com células de centro de folículo.

BRCA1 – CLONE GLK-2
Sua expressão pode ser observada nos carcinomas ovarianos com mutação no exon 11.

CALDESMON – CLONE H-CD
Útil na determinação de tumor muscular liso uterino/sarcoma do estroma endometrial.

CALPONINA
Marcador de células mioepiteliais.

CALRETININA
Marcador de mesotelioma.

CALCITONINA
Reage com polipeptídeo presente em células parafoliculares da tireóide (células C) e carcinoma medular da tireóide.

CÉLULA MESOTELIAL – HBME-1
Expressão em células mesoteliais, com marcação de membrana no mesotelioma e de citoplasma no adenocarcinoma.

CÉLULA MIELÓIDE – CD-34
Expressão em precursor mielóide e leucemias M2 e M3.

CICLINA D1 (RABBIT MONOCLONAL ANTIBODY) – CLONE SP4
Marcador de linfoma de células do manto.

CDX2 – CLONE CDX2-88
Útil na determinação de sítio primário/identificação do adenocarcinoma de origem intestinal.

CD1A
É uma glicoproteína de superfície relacionada ao MHC classe I. Marcador da histiocitose de células de Langerhans, cuja positividade é exigida para um diagnóstico definitivo.

CD4
Expressão em subpopulação linfocitária T auxiliar, timócitos, linfomas T, como micose fungóide, leucemia T do adulto associada ao HTLV.

CD5
Marcador de linfócitos T, linfoma linfocítico/leucemia linfóide crônica e linfoma da zona do manto.

CD7
Marcador de linfócitos T.

CD8
Marcador de linfócitos T.

CD10 (CALLA)
Marcador de células foliculares e linfoblastos, normais e neoplásicas, além de tumor do estroma endometrial e carcinoma de células claras.

CD14
Expressão em células de linhagem mielomonocítica, monócitos, macrófagos e células de Langerhans.

CD15
Expressão em granulócitos, células dendríticas, células Reed-Sternberg da doença de Hodgkin e linfomas T.

CD20
Marcador pan-B com expressão de diferenciação e ativação de linfócitos normais e neoplásicos nos linfomas e leucemias agudas e crônicas. É negativo em linfócitos B com diferenciação plasmocitóide.

CD21
Marcador de células dendríticas foliculares.

CD23
Marcador de linfoma linfocítico e folicular, e células dendríticas foliculares.

CD3
Complexo associado à superfície dos linfócitos T medulares e corticais do timo, sangue periférico e medula óssea; é um antígeno precocemente detectado.

CD30
Expressão em células mono e multinucleares da doença de Hodgkin, linfomas de grandes células, alguns linfomas T pleomórficos, células B e T ativadas e neoplasias não linfóides, como carcinoma embrionário.

CD31 (CÉLULA ENDOTELIAL)
Glicoproteína com expressão em células endoteliais normais e neoplásicas, megacariócitos e plaquetas, subpopulações de células T e B.

CD34
Marcador de células hematopoiéticas primitivas e células endoteliais; pode ser positivo em casos de tumor fibroso solitário da pleura, hemangiopericitoma, tumor estromal gastrointestinal e dermatofibroma protuberans.

CD43
Expressão em linfócitos T e linhagem mielóide normal e neoplásica, com co-expressão com marcadores B de linfomas de baixo grau e linfomas de células do manto.

CD45 (ANTÍGENO LEUCOCITÁRIO COMUM)
Glicoproteína transmembrânica com expressão na maioria dos leucócitos, utilizada para diferenciar neoplasias linfóides das de outra linhagem; apresenta sensibilidade em linfomas de alto grau.

CD45RO
Variante de CD45, apresenta baixo peso molecular, com expressão em linfócitos T, percentual significativo de CD4+, timócitos e maioria das neoplasias T, monócitos, granulócitos e macrófagos.

CD56 (N-CAM)
Marcador de neoplasias neuroendócrinas e alguns linfomas T, além de células NK.

CD57
Expressão em subpopulação mononuclear com atividade natural killer, células de Schwann, células neuroectodérmicas. Linfócitos T citotóxicos co-expressam CD8 e CD57.

CD61
Marcador de megacariócitos e plaquetas.

CD68
Marcador pan-histiocítico com expressão em precursores mielóides, granulócitos, monócitos e macrófagos, incluindo células de Kupffer e células de polpa vermelha esplênica.

CD79A
Polipeptídeo com expressão em células pré-B, persistindo em plasmócitos quando CD20 já está negativo, e observado na maioria dos linfomas B e mielomas.

CD8
Positivo em subpopulação linfocitária T citotóxica, células natural killer e timócitos.

CD99 (SARCOMA DE EWING)
Reconhece a glicoproteína produto de genes MIC2, localizada no braço curto de X e Y. Com expressão em linfócitos, timócitos corticais, células da granulosa, ilhotas pancreáticas etc., e nos sarcomas de Ewing e PNET.

CD117 (C-KIT PROTO-ONCOGENE)
Marcador de tumores estromais gastrointestinais, alguns carcinomas e leucemias.

CD138
Marcador de células do mieloma, viáveis.

CICLINA D1
Marcador nuclear utilizado na confirmação do linfoma de células do manto.

CITOCERATINA (ALTO PESO MOLECULAR)
Expressão em epitélio escamoso, ductal (células ductais de mama, pâncreas, ductos biliares etc.), outros epitélios simples e neoplasias correspondentes. Utilizado na detecção de células basais da próstata para diagnóstico diferencial entre carcinoma e hiperplasia (citoceratina 5, 6 e 10).

CITOCERATINA (BAIXO PESO MOLECULAR)
Expressão em células epiteliais não escamosas, como adenocarcinoma de ovário, trato gastrointestinal, e nas neoplasias correspondentes, é utilizada em combinação com as citoceratinas de alto peso molecular (citoceratinas 8 e 20).

CITOCERATINA 5-6
Marcador de epitélio escamoso normal e neoplásico.

CITOCERATINA 7
Marcador de epitélios glandulares e transicionais.

CITOCERATINA 8-18
Marcador de epitélio glandular simples, epitélio colunar pseudo-estratificado. Presentes na tireóide, mama, trato gastrointestinal e trato respiratório.

CITOCERATINA 10
Marcador de epitélio escamoso normal e neoplásico.

CITOCERATINA 18
Marcador de células de diversos epitélios normais e neoplásicos.

CITOCERATINA 19
Marcador de células de diversos epitélios normais e neoplásicos.

CITOCERATINA 20
Marcador de células de epitélio gastrointestinal, células de Merkel e urotélio.

CITOMEGALOVÍRUS (CMV)
Marcador de presença do citomegalovírus.

COLÁGENO TIPO IV
Principal componente da membrana basal, delineia células neurais, musculares lisas e células adiposas, no angiossarcoma e hemangiopericitoma. Pode ser usado para distinguir adenose esclerosante de carcinoma tubular de mama, e auxilia na definição de pequenos focos de invasão de carcinomas.

CROMOGRANINA A
Proteína componente dos grânulos secretórios de células endócrinas e neuronais com expressão na diferenciação neuroendócrina, presente em tumores de ilhota pancreática, adenoma pituitário, carcinoma medular de tireóide, tumor de Merkel, paraganglioma, tumor de pequenas células do pulmão e PNET.

DBA44
Marcador das células da tricoleucemia, embora outros linfomas possam apresentar positividade.

DESMINA
Filamento intermediário com expressão nas células musculares lisas e esqueléticas, nas neoplasias correspondentes e em alguns casos de PNET.

E-CADERINA
Glicoproteína transmembranosa, com papel regulador crítico das junções epiteliais, mais utilizada para diferenciar carcinoma lobular de carcinoma ductal da mama.

EGFR
Receptor de fator de crescimento epidérmico. Superexpressão em tumor de mama, cérebro, bexiga, pulmão, estômago, cabeça e pescoço, esôfago, vulva, colo uterino, ovário e endométrio.

ENOLASE NEURONAL ESPECÍFICA
Expressão em neurônios, células neuroendócrinas etc., é utilizada no diagnóstico dos melanomas, gangliomas, gliomas, feocromocitoma, e como diferencial entre sarcoma de Ewing e PNET.

EPSTEIN-BARR VÍRUS (EBV)
Marcador viral Epstein-Barr, mononucleose infecciosa, linfoma/doença de Hodgkin, linfomas não Hodgkin.

F XIIIA, POLICLONAL
Marcador de dendrócito dérmico, hemangioma capilar.

FASCINA
Marcador de doença de Hodgkin, células dendríticas e endotélio.

FOSFATASE ALCALINA PLACENTÁRIA (PLAP)
Marcador de tumores de células germinativas.

GALECTINA 3 AB-1
Marcador de carcinoma da tireóide, endométrio, cabeça e pescoço, rim e bexiga.

GALECTINA 3 AB1 – CLONE 9C4
Útil na diferenciação adenoma folicular X carcinoma folicular.

GASTRINA, POLICLONAL
Reage com formas sulfatadas e não sulfatadas de gastrinas 17 e 34.

GFAP
Filamento intermediário característico dos astrócitos. Astrócitos normais, reativos e neoplásicos usualmente reagem a esse marcador.

GLICOFORINA A
Marcador de células de origem eritróide em todos os estágios de maturação e neoplásicas.

GLUCAGON, POLICLONAL
Marcador de hiperplasia de ilhota pancreática.

GONADOTROFINA CORIÔNICA (BETA-HCG)
Células do sinciciotrofoblasto do coriocarcinoma e células similares em outras neoplasias.

HBcAg, POLICLONAL
Antígeno nuclear e ocasionalmente citoplasma da hepatite B.

HBME-1
Marcador de células mesoteliais reacionais e neoplásicas. Pode ter imunomarcação em alguns adenocarcinomas, particularmente os de ovário e tireóide.

HBsAg
Antígeno de superfície da hepatite B.

HCV
Marcador do agente do vírus da hepatite C.

HMB45
Oligossacarídeo presente em pré-melanossomas com expressão de proliferação melanocítica, marcador para melanoma, tumores neuroectodérmicos melanóticos da infância, tumor de células claras de pulmão etc.

HERPES
Vírus simples tipo 1, policlonal.

HERPES
Vírus simples tipo 2, policlonal.

HORMÔNIO ADRENOCORTICOTRÓFICO (ACTH)
Positividade em células corticotróficas da adenohipófise, utilizado no diagnóstico de tumores hipofisários.

HORMÔNIO DO CRESCIMENTO (GH)
Positividade em células somatotróficas da hipófise, utilizado no diagnóstico dos tumores hipofisários.

HORMÔNIO FOLÍCULO ESTIMULANTE (FSH)
Positividade em células gonadotróficas da hipófise, utilizado no diagnóstico dos tumores hipofisários.

HORMÔNIO LUTEINIZANTE (LH)
Composto de subunidade a e b. Positividade em células gonadotróficas da hipófise, utilizado no diagnóstico dos tumores hipofisários.

HORMÔNIO TIREOESTIMULANTE (TSH)
Positividade em células tireotróficas da hipófise, utilizado no diagnóstico dos tumores hipofisários.

IgA
Expressão em células plasmáticas e precursores de linfócitos B, reativas e neoplásicas.

IgG
Expressão em células plasmáticas e precursores de linfócitos B, com positividade em linfomas B e mielomas secretores.

IgM
Expressão em células centrofoliculares de folículos primários, células do manto de folículos secundários.

INIBINA
Marcador de tumor de células granulosas e de células do metabolismo de hormônios sexuais.

INSULINA
Marcador de células beta da ilhota pancreática.

KAPPA
Utilizada para demonstração de restrição de cadeias leves com expressão em plasmócitos normais, neoplasias de células plasmáticas e linfomas foliculares e de clonalidade de imunoblastos.

LAMBDA
Utilizada para demonstração de restrição de cadeias leves com expressão em plasmócitos normais, neoplasias de células plasmáticas, linfomas foliculares e de clonalidade de infiltrado linfóide.

LISOZINA, POLICLONAL
Marcador de células de origem mielóide/granulocítica e histiócitos.

MAC387
Marcador de macrófagos, monócitos e granulócitos.

MIELOPEROXIDASE, POLICLONAL
Marcador de células de origem mielóide/granulocítica.

MIOGENINA
Marcador de rabdomioblastos.

NEUROBLASTOMA
Marcador de neuroblastoma.

NEUROFILAMENTO
Marcador de origem neuronal.

ONCOPROTEÍNA ALK-1
Marcador de linfoma de grandes células anaplásicas.

ONCOPROTEÍNA BCI-6
Expressa células B do centro germinativo e linfomas relacionados. Linfoma B difuso de grandes células.

P16
Inibidora de cdk4/cdk6 e supressor de tumor envolvido na patogênese de várias neoplasias.

P63
Marcador de células mioepiteliais.

POLIPEPTÍDEO PANCREÁTICO (PP), POLICLONAL
Marcador de carcinoma de pâncreas e vias biliares.

PROLACTINA (PR)
Positividade em células da hipófise, utilizado no diagnóstico dos tumores hipofisários.

S100
Expressão em células da crista neural, de Schwann, de Langerhans, melanócitos e tumores mesenquimais e melanocíticos, schwanoma maligno, tumor de células granulares não miogênicas etc., podendo apresentar positividade nuclear e/ou citoplasmática.

SINAPTOFISINA
Proteína ligadora do cálcio, presente em vesículas pré-sinápticas, com expressão em neurônios e grânulos neurossecretórios de neoplasias neuroendócrinas de medular adrenal, hipófise, tireóide, pâncreas etc., e tumores correspondentes, como neuroblastoma, feocromocitoma, carcinoma medular de tireóide, carcinóides etc.

SOMATOSTATINA, POLICLONAL
Marcador de hormônio polipeptídeo pancreático, células de tumor pancreático, hiperplasia de células da ilhota pancreática, carcinoma medular da tireóide.

TDT
Marcador de linfoblastos.

TIMIDILATO SINTASE MONOCLONAL ANTIBODY – CLONE TS 106
A expressão da timidilato sintase está associada à resposta ao antineoplásico 5-fluoracil em carcinomas colorretal, de mama e gástrico.

TIREOGLOBULINA
Expressão em células epiteliais de tireóide.

TIROSINASE
Marcador de melanócitos normais e neoplásicos. Marcador de melanoma.

TOXOPLASMOSE, POLICLONAL
Reage com epitopo T. gondii.

TTF1
Marcador de carcinomas de pulmão e tireóide, além de neoplasias neuroendócrinas.

VILINA – CLONE CWWB1
Útil na determinação de sítio primário / carcinomas colorretais e tumores tipo intestinal de outros sítios.

VIMENTINA
Filamento intermediário com expressão em células mesenquimais, hematolinfóides, renais, endometriais, glândula salivar, carcinoma de tireóide, melanoma, mesotelioma maligno, carcinoma epidermóide e ocasionalmente carcinoma de mama e tumores de ilhotas.

WT1
Marcador de tumor de Wilm’s, tumor de ovário e mesotelioma.

WT-1- CLONE 6F-H2
Útil no diagnóstico do mesotelioma, carcinoma seroso ovariano e tumor desmoplásico de pequenas células redondas, além do tumor de Wilms.

EXAMES:

Marcadores prognósticos mais freqüentemente utilizados


O bom indicador prognóstico deve permitir uma medida fácil, reprodutível e sensível, com valor preditivo, expressando um fenômeno biológico relacionado ao crescimento, invasão e metástase tumoral, com valor independente do de outros indicadores clínico-patológicos e, se possível, fornecer meios para seleção da terapia. Os marcadores prognósticos mais freqüentemente utilizados para tumores de mama e outras neoplasias malignas estão descritos a seguir:

Receptores de Estrogênio (ER) e Progesterona (PR)

Os receptores de estrogênio e progesterona têm localização intracelular, são transportados para o núcleo ligando-se à seqüência específica do DNA, possibilitando a indução do gene que os codifica. O estrogênio é a proteína reguladora do gene que codifica a subunidade de ER e a progesterona codifica a subunidade PR.

O conceito de que a excessiva estimulação hormonal sobre o órgão-alvo induz a formação de neoplasias também considera que o crescimento e a função dos tecidos normais estão sob controle de um ou mais hormônios esteróides. Evidências acumulam-se de que o desenvolvimento de câncer é um processo que não apenas envolve desregulação de fatores de proliferação e ativação de oncogens, mas também de fatores inibidores e de perda de função de genes supressores.

O estrogênio regula o crescimento de tumores de mama através da sinalização destes receptores específicos. A ablação do tecido mamário leva à remissão da neoplasia e ao controle de metástases viscerais e esqueléticas. A expressão dos receptores correlaciona-se bem com o baixo grau histológico do tumor e a resposta à manipulação hormonal, especialmente em pacientes pós-menopausa. Não se conhece se ER regula PR em células normais ou se tem co-expressão na mesma subpopulação de células ductais e lobulares.

A identificação dos receptores hormonais por imuno-histoquímica, principalmente no tecido mamário, permite predizer a resposta à hormonioterapia, identificando pacientes que possam se beneficiar de terapia adjuvante tanto nos estágios iniciais quanto nos avançados da doença; isso evita as complicações decorrentes do tratamento desnecessário. O antagonista hormonal tamoxifen bloqueia a estimulação do estrógeno sobre as células neoplásicas da mama, inibindo a ligação nuclear do receptor de estrogênio e assim induzindo alterações nos eventos relacionados à transcrição mediada pelo receptor. Outros efeitos do tamoxifen incluem a conversão do sulfato de estrona em estradiol, a inibição da proteína quinase C e a reversão da multirresistência a drogas.

A resistência a drogas ocorre como resultado da recorrência ou progressão de metástases, e, em alguns casos, após perda de células ER positivas.

A inibição do crescimento celular pelo antiestrógeno tamoxifen leva à diminuição da regulação destes fatores, com bloqueio da atividade do receptor quinase. Esse efeito do antiestrógeno em neoplasias de mama positivas para o receptor é mediado pela resposta a um fator de crescimento alterado, e causa inibição da angiogênese.

Há estreita ligação entre receptores hormonais negativos e tamanho tumoral, status axilar, atividade proliferativa e aneuploidia, prognosticando menor tempo livre de doença e de sobrevida total. Se positivo para ER e PR o prognóstico é melhor, independentemente do status dos linfonodos, número de linfonodos envolvidos e tamanho do tumor. Os carcinomas papilar e lobular têm alto percentual de receptores enquanto o medular e o comedocarcinoma têm baixo percentual. Existe uma maior concentração de receptores em neoplasias bem diferenciadas. A ligação do estradiol ao ER leva à expressão do PR, mais diretamente ligado às etapas de regulação de crescimento do tumor. ER e PR tornaram-se parte da rotina diagnóstica de neoplasias de mama e têm valor preditivo; podem ser medidos em tumores primários e metastáticos, identificando pacientes que possam se beneficiar de terapia adjuvante.

EXAMES: